Padre Valdo: ele morreu, mas ele viveu!



Meio que sem querer, navegando na internet acabei achando o blog
http://blogdodeijivan.blogspot.com/2010/04/sonhos-e-desejos.html

Neste blog consta postagem sobre o ex-padre Valdo cujo texto abaixo de forma reduzida
copiei:

Valdo subiu na bike e foi dar uma volta ao mundo”, escrito pelo jornalista Estevão Bertoni na seção “Mortes” da Folha de São Paulo.

Este artigo falava sobre a morte de João Valdecir Vieira (1944-2010), conhecido por Valdo, um ex-padre que resolveu largar a batina e realizar um antigo sonho: dar a volta ao mundo em uma bicicleta!
A ligação entre este pequeno artigo e o tema que trato aqui aconteceu justamente na noite deste domingo, quando resolvi organizar estes meus recortes de jornais e me deparei justamente com o artigo sobre o Valdo. De início passou de relance, mas logo me veio à cabeça os pensamentos sobre sonhos e desejos que me ocuparam a mente durante a tarde. Tive que parar com o trabalho de organização dos recortes e me dedicar imediatamente à leitura daquele artigo. Minutos depois eu já estava sentado enfrente ao micro escrevendo este texto. Não consegui terminá-lo no mesmo dia e retomei a empreitada na noite de segunda-feira, para então publicá-lo na madrugada desta terça-feira.
A história do ciclista e ex-padre Valdo é surpreendente. Graças a uma Poupança que fez ao longo da vida, conseguiu juntar quase 60 mil reais que foram destinados para financiar o seu sonho. Já sabia de antemão que seria muito difícil arranjar patrocínios que bancassem toda a viagem e, por isto, se precaveu guardando dinheiro. Obviamente que teve auxílio também de amigos e familiares, além de simpatizantes que encontrou pelo caminho. Segundo as informações disponíveis no site do Valdo,ele recebeu 374 dólares de doações feitas por pessoas que ele encontrou durante a viagem.

A odisséia de Valdo é impressionante. Ele percorreu milhares de quilômetros em sua “bike”, apelidada de Tanajura, saindo de Joinville, Santa Catarina, no dia 15 de março de 2009, as 6h30 da manhã. Ao longo do trajeto percorrido, ele teve que caminhar a pé empurrando sua bicicleta por 927 km, enfrentando diversas ladeiras entre montanhas e desfiladeiros. Pelas estradas ele encontrou 26 cicloturistas, categoria de ciclistas que se empenham em longas viagens, e pôde se vangloriar de ter levado apenas cinco tombos durante todo o percurso!
Para nosso deleite, Valdo registrou todas as suas aventuras em um
diário de bordo publicado em seu site, deixando muitas dicas sobre costumes locais, pontos de parada e alojamento e centenas de fotos e vídeos. Tudo foi muito bem catalogado, rendendo um material extremamente interessante.

O projeto todo da volta ao mundo em uma bicicleta deveria durar 1.460 dias, terminando em dezembro de 2012, podendo se estender até maio de 2013. Porém, infelizmente Valdo não conseguiu concluir o seu sonho. Ele conseguiu chegar até o México e se preparava para entrar nos EUA, quando publicou em seu site a ultima postagem em 22 de fevereiro deste ano. Dois dias depois, em 24 de fevereiro, o fabuloso ciclista Valdo, com 66 anos de idade, foi encontrado morto em sua barraca no acampamento do Restaurante Rancho Chapala, em Vila de Jesus Maria, na cidade de Baixa Califórnia, no México.
Valdo morreu dormindo, provavelmente devido a uma parada cardiorrespiratória. Mesmo não conseguindo realizar por inteiro o seu sonho, com certeza ele se foi satisfeito com a vida que teve. Foi um homem audacioso, que teve a coragem de deixar tudo para trás para poder se dedicar exclusivamente ao seu sonho. Abandonou os seus desejos e conquistas para seguir os caminhos que levavam ao prazer único da realização de um sonho!
Volto a perguntar: o que será que vale mais, sonhos ou desejos?

Para finalizar, deixo duas frases de autoria do grande Valdo:
“Tanta gente vive em circunstâncias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso que parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito aventureiro do homem que um futuro seguro.”

“As pessoas que raciocinam muito antes de dar um passo viverão suas vidas sobre uma perna só.”
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A vida das mulheres (opinião de um escritor português)

Será mesmo assim aqui no Brasil?

“A vida das mulheres decide-se num prazo muito curto. Até aos vinte e cinco anos podem ter todos os sonhos. As pobres podem acreditar que encontrarão o homem que as fará ricas; as feias que descobrirão quem as aprecie e ame tal como são; as tristes que há-de acontecer alguma coisa que as tornará alegres. Mas aos trinta anos grande parte destes sonhos estarão desfeitos. Poucas terão sido aquelas que os concretizaram. A realidade sobrepôs-se à ilusão. A vida já traçou à maioria delas o destino: as que não casaram deverão começar a habituar-se a viver solteiras, as que não tiveram filhos deverão começar a afeiçoar-se aos sobrinhos, as que não encontraram um homem rico deverão conformar-se à ideia de que terão de poupar toda a vida, as que não descobriram a felicidade deverão aceitar o mundo tal como é. Tantas ilusões perdidas! A vida da maior parte das mulheres decide-se dos vinte e cinco para os trinta anos.[…] Quantas são as mulheres que encontraram o homem que idealizaram? Dos vinte e cinco para os trinta anos as raparigas descem das nuvens. Pousam no chão. Passam da novela da rádio à vida real. Dos cromos dos artistas de cinema aos homens de carne e osso. Deixam de poder sonhar com o futuro para terem de se preocupar com o presente.”

José António Saraiva, O último Verão na Ria Formosa, Lisboa,
Publicações D. Quixote, 2001, p. 226.