A vida das mulheres (opinião de um escritor português)

Será mesmo assim aqui no Brasil?

“A vida das mulheres decide-se num prazo muito curto. Até aos vinte e cinco anos podem ter todos os sonhos. As pobres podem acreditar que encontrarão o homem que as fará ricas; as feias que descobrirão quem as aprecie e ame tal como são; as tristes que há-de acontecer alguma coisa que as tornará alegres. Mas aos trinta anos grande parte destes sonhos estarão desfeitos. Poucas terão sido aquelas que os concretizaram. A realidade sobrepôs-se à ilusão. A vida já traçou à maioria delas o destino: as que não casaram deverão começar a habituar-se a viver solteiras, as que não tiveram filhos deverão começar a afeiçoar-se aos sobrinhos, as que não encontraram um homem rico deverão conformar-se à ideia de que terão de poupar toda a vida, as que não descobriram a felicidade deverão aceitar o mundo tal como é. Tantas ilusões perdidas! A vida da maior parte das mulheres decide-se dos vinte e cinco para os trinta anos.[…] Quantas são as mulheres que encontraram o homem que idealizaram? Dos vinte e cinco para os trinta anos as raparigas descem das nuvens. Pousam no chão. Passam da novela da rádio à vida real. Dos cromos dos artistas de cinema aos homens de carne e osso. Deixam de poder sonhar com o futuro para terem de se preocupar com o presente.”

José António Saraiva, O último Verão na Ria Formosa, Lisboa,
Publicações D. Quixote, 2001, p. 226.

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